Meus pensamentos quanto ao ato de estudar

Criado: 07/04/2026 15:20 -03

Conteúdos

Minha forma de ser autodidata

Eu sou um autodidata. O que isso quer dizer é que eu sou uma pessoa que aprende coisas por conta própria. Quer dizer que eu não dependo de um sistema, como por exemplo educação formal em escola/cursos/ universidade ou mentoria para aprender algo. Mas isso não quer dizer que eu não possa usar desses recursos para me auxiliar a aprender. O fato é que eu vou atrás desse auxílio por conta própria, seja se matriculando em alguma instituição de ensino, seja usando algum livro, seja seguindo um tutorial no YouTube, seja conversando com estranhos na internet. Eu escolho até quando precisarei de determinado auxílio. Eu escolho quando trocar ele. Eu escolho quando descartá-lo e nunca mais usá-lo.

Eu sou responsável pela minha própria evolução e a única pessoa a quem eu posso culpar por não estar progredindo sou eu mesmo. Eu tenho prazer em ser independente de "trilha de aprendizado" ou de qualquer outro nome dado a um plano pré-estabelecido de estudos. Eu não tenho medo da sensação de não saber de algo. Eu não tenho vergonha de admitir a minha ignorância em determinado assunto. Eu tenho prazer em fazer perguntas e mais prazer ainda em ir atrás dessas respostas e consegui-las. Eu gosto de sair do roteiro, experimentar o que o livro/professor não falou sobre. Por exemplo, se estou estudando algum assunto, gosto de pular para as partes mais difíceis e tento entendê-las usando apenas o conhecimento que tenho no momento. Se estou aprendendo alguma linguagem de programação, gosto de modificar o código, testar coisas que o livro não falou sobre. Pulo de um canto a outro ao longo do meu estudo, e aprendo muito mais dessa forma.

Duas principais características de um autodidata

Para mim, as principais características de um autodidata são a curiosidade e a coragem. A matéria prima de um autodidata é a inteligência. Imagine uma metralhadora. Essa metralhadora é sua inteligência. O gatilho dessa metralhadora é a curiosidade, e o dedo que aciona esse gatilho é a coragem. As balas dessa metralhadora são as idéias e os produtos dessas idéias. Os alvos dessas balas podem ser as pessoas, seus projetos pessoais, sua empresa, a sociedade como um todo, e o aquecimento da metralhadora assim como sua desestabilização aumentando devido ao disparo de cada bala é a sua inteligência se tornando cada vez mais quente, cada vez mais viva. Inclusive, para mim, ter uma metralhadora como essa e não atirar em alguem é um desperdício e tanto! Somente quando você tem a coragem deapertar o gatilho, que essa metralhadora serve o seu fim. Assim é a sua inteligência. Não vou me prolongar mais nesta analogia.

Estudo bom e estudo ruim

Falando de estudo. Para mim, só há dois tipos de estudos: o bom e o ruim. Minha linha de pensamento é muito simples: o estudo bom é aquele feito de forma despreocupada, livre de ordem dos outros, pela satisfação de se tornar menos burro e pelo prazer de aprender. E o estudo que não for assim para mim é ruim. O estudo ruim geralmente está ligado aos seguintes fatores:

Porque eu digo isso? Primeiro, porque quem estuda por necessidade ou pressão achará do estudo um fardo. E para mim, estudo que é fardo ta longe de ser um estudo decente. Dependendo do caso, estuda só para não reprovar na matéria, ou para parar de levar represália de seus superiores(seu pais ou chefes). Quem estuda assim geralmente só faz o minimo, e não tem interesse em aprender mais sobre o assunto. Estuda o que ta sendo mandado, parece que tá lendo grego e escrevendo árabe, as pálpebras ficam pesadas a cada segundo que passa e conta as horas para terminar. Segundo, porque para mim o prazer de estudar é por si só a recompensa, o que vier disso é a consequência e não o fim.

Não estou lhe dizendo para condenar o estudo ruim e evitar ele como se fosse a praga. Até porque nem eu consigo evitar ele como um todo. Mas eu te digo com propriedade que quanto mais sessões de estudo bom você tiver nos seus dias, mais satisfatória sua vida será. Digo isso porque sou testemunha disso.

Como eu estudo

Então, como eu estudo? É bem simples também. Primeiro eu me isolo, depois eu pego um livro, um caderno e minhas canetas. Após isso eu abro o livro e começo a ler despreocupadamente página por página. Eu sigo todo um protocolo de como ler livros, que escreverei sobre em outro momento. Eu anoto aquilo que considero importante(as vezes copio páginas inteiras!). O ato de escrever ativa redes neurais o suficiente para meu cérebro considerar a informação que estou anotando como importante e não despejar ela durante o sono. Geralmente eu nem leio essas notas depois, as vezes eu até jogo fora.

Não me limito somente a um livro. Sempre que posso eu uso vários ao mesmo tempo. Eu também não dou importância a ordem. Leio os capítulos na ordem que me convem. Pulo partes, volto a elas depois. Uso o YouTube e DeepSeek para me explicarem o conteúdo de outras formas. Deixo a minha curiosidade cantar. Meu método de estudo é muito ligado a minha forma de ler livros.

Se eu tiver preconceito com o assunto que estou estudando eu dedico um tempo a pesquisar a importância de aprender sobre aquilo. Os novos assuntos que poderei falar sobre, as novas críticas que poderei fazer(ou quem sabe a nova opinião que possa vir a defender), os projetos que poderei fazer usando aquele conhecimento, etc. Eu busco motivos para gostar daquele assunto. Pois se eu encontrar algo que me faça gostar do assunto, o estudo fluirá muito melhor.

Se o assunto que estou lendo me parece difícil, eu posso fazer algumas coisas:

Para livros que não são da área de ciências exatas eu geralmente opto por ignorar e seguir em frente, porque em uma futura releitura provavelmente eu virei a entender o que não havia entendido antes. Para livros da área de ciências exatas eu também dedico um tempo a estudar os pré-requisitos daquele assunto, principalmente resolvendo problemas, mas não me demoro muito. Nada é perfeito. Para mim está tudo bem não saber 100% sobre algo. É aquela coisa dos "20% responsável por 80% dos resultados". E quando eu paro? Quando minha cabeça começa a pesar. E o que eu faço? Eu paro de estudar e vou fazer outra coisa que não exija tanto esforço cognitivo. Depois eu volto. Quem sabe no mesmo dia ou no outro.

Por que eu não quantifico o meu estudo

Para mim é um fardo quantificar o estudo. Coisas como contar minutos, páginas lidas, questões resolvidas. Isso é muito útil para as pessoas que precisam de algo pra inflar os próprios egos, ou para os fracos usarem de "motivação" no começo. Mas para mim, isso é um overhead. Uma pessoa que faz isso começa a se comparar consigo mesma, o que é menos pior do que se comparar com os outros mas não deixa de ser ruim, e porque eu digo que não deixa de ser ruim? Simples, é muito fácil deixar a métrica se tornar o propósito do estudo. Estudar apenas para manter números e não pelo prazer de estudar. Chega um dia em que não consegue manter o desempenho, e se frustra. A sensação de culpa cai sobre ela. Se não consegue voltar a ser como antes pensa haver algo de errado e a situação piora ainda mais.

Eu evito todo esse problema ligando o foda-se para esse tipo de hábito. Estudar todos os dias para mim é o que importa. Independente do assunto, e da quantidade de horas/páginas/problemas resolvidos. Estudar todos os dias mesmo que pouco já é suficiente.

Relaxa, você não está em uma competição contra o mundo. Existir basta.